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Idiossincrasia'S
16 September ... resgate de uns escritos.Seres humanos?! Ao mesmo tempo que despertam um fascínio, encerram uma complexidade que talvez eu jamais compreenda. Limito-me a respeitá-los, admirando alguns ou simplesmente aceitando outros. Há ainda aqueles que são absolutamente incompatíveis, quanto a esses não há o que comentar... Falar sobre de si não é tarefa fácil... podemos ter uma visão a nosso respeito não compatível à visão alheia. De qualquer forma, falar à respeito de si serve para aproximar o que se imagina ser do que (realmente) se é. Meu desejo é que a minha visão/versão/tradução de mim mesma seja o mais fiel possível ao que de fato sou... Li, não sei onde e não sei de quem, uma frase que - a meu ver - sintetiza de forma extraordinária o que somos: "Somos tantos quantos são os olhos que nos vêem". ... um dia acordei diferente e minhas prioridades passaram a ser outras; me descobri querendo viver e descobrir o mundo. Acordei uma mulher egoísta que não estava mais disposta a abrir mão de si, das coisas que pensava, das que acreditava ou das que estava a fim... Não sei dizer exatamente como isso ocorreu, se foi uma mudança repentina ou gradual, fato é que abri os olhos e descobri que havia um mundo lá fora e neste mundo, vida! E eu queria viver! Rompida as algemas e reestabelecido o livre arbítrio, evito olhar para trás e se olho, não sinto saudades... Olho para frente e me encho de felicidade. Procuro ver a vida sob perspectivas de bom humor e otimismo. Acredito no mundo, nas pessoas e, sobretudo, em mim... ... vez ou outra sinto-me insegura em relação as decisões ou atitudes que tomo. A conseqüência delas acaba refletindo, e nem sempre indiretamente, na vida daqueles que dependem de mim e que estão sob minha responsabilidade... Isso implica em dizer que vez ou outra acabo ficando em dúvida quanto a ter tomado a decisão mais acertada ou num caso mais extremo, até abdicando de desejos e vontades próprios a fim de resguardar/defender interesses dos meus. Há ainda aquelas que não vistas ou recebidas com simpatia, e aí para completar sobra-me sem querer, o papel da megera. Cometo erros e acertos, os últimos numa proporção maior... Já me disseram que a renúncia implica em crescimento pessoal... Por que será que incorrendo tanto neste “pecado” nunca me senti “gigante”?! ... julgo-me uma mulher inabilidosa no trato social. Trocando em miúdos, sou tímida... Odeio quando fico com aquela célebre cara de paisagem morta que acomete os tímidos e justamente nos momentos em que mais gostaria de parecer interessante. A timidez tem esse inconveniente, o de fazer com que as pessoas pareçam medíocres, legítimas "moscas mortas". Sou meio calada, introspectiva e me saio melhor como escrevente do que falante. Minhas habilidades orais são duvidosas, se comparados aos da escrita... ... tenho o mau hábito de disparar palavras feito balas e à queima roupa e que nem sempre consigo deter as que julgo inoportunas. Por outro lado, acho que estas são as que de fato me revelam... As oportunas, embora aceitáveis, muitas vezes não passam de máscaras, capazes de disfarçar prantos. Quanto a conhecer-me, quem me dera?! Ouso rascunhar-me e não traçar um perfil. Mudo de opinião e de conceitos sem pudor algum... Não tenho vergonha de confessar que muitas vezes me lancei em objetivos que foram ao longo do percurso perdendo a importância. E que abandono aquilo que deixa de significar algo para mim. Não me desperdiço em causas que não acredito...
Travo guerras diárias dentro de mim e não sei definir se pertenço ao bem ou ao mal.. Acredito no relativismo das coisas, exceto quando se trata de pessoas a quem julgo absolutas. Verdade é que transito entre a reflexão e a impulsão e em proporções que não sei precisar... Pessoas são frutos do meio onde vivem, daquilo que absorvem, do que fica de tudo o que foi absorvido, enfim... É isso, somado a outros fatores que as fazem enxergar o mundo com o olhar capaz de ir além do seu campo físico de visão. E é fácil se ter uma visão além, quando realmente se vai além. É fácil não ter fronteiras, quando fisicamente transpomos fronteiras. Enxergá-las por presunção é complicado e às vezes pretensioso...
Meus filhos um dia “irão pro mundo”, cada um do seu jeito, viver a vida. E eu, que frequentemente abdico de desejos e vontades próprias a fim de supostamente resguardar o interesse deles, hoje fico reflexiva e me pergunto: Que interesses?!! Eles em momento algum pediram que eu abdicasse de qualquer coisa que pudesse me fazer feliz por achar que ia contra a vontade deles. É! Preciso rever conceitos, formular novas teorias, eliminar algumas regras, especialmente aquelas depõem contra o bem viver... Neste caso, o meu viver. E isso antes que eu me torne uma velha chata e resmungona... Tentei buscar explicações que justificassem o que nos leva a amar uma pessoa. Não encontrei respostas satisfatórias. Mais do que afinidades psicológicas e desejos físicos, estabelece-se uma cumplicidade inexplicável. Quando percebemos, somos uma mistura de nós mesmos e do outro e em proporções que não conseguimos medir... Passamos a ter desejos e vontades de incluir o outro em todas as coisas que fazemos e julgamos importantes, desde as corriqueiras até as mais complexas... Ouso dizer que o amor nos completa, sem o peso das cobranças ou a exigência do cumprimento de responsabilidades...
O amor nos dá a sensação de sintonia, de pertencermos a algum lugar, de estarmos incluídos “no todo”, de sermos parte importante de um processo. E quando começo a falar de amor, já não sei se estou falando sobre o amor para com as outras pessoas ou o amor para comigo mesma...
... liberdade, mais do que não ter limites é arriscar-se a ir além deles em vôos cada vez mais altos... Arrisquei a ir além dos meus e me surpreendi com a minha capacidade de vôo. Isso não seria possível se não tivesses me dado o privilégio de compartilhar comigo a tua asa... Afirmo que hoje sou melhor. Um mérito que não é apenas meu...
Somos o resultado dos desavisos da vida. ... a capacidade que cada um tem de desatar ou desvencilhar-se dos nós que se formam ao longo do caminho é que nos torna interessantes... ... nos fosse dada a possibilidade de conhecer previamente o impacto que determinadas decisões ou ações poderiam ter sobre nossas vidas, seríamos, provavelmente chatos, monótonos, enfadonhos, previsíveis... Pessoas cuspidas pela mesma máquina e munidas de manuais de instrução e de sobrevivência! Viva a improviso!!!
...me vi pensando sobre as linhas que traçamos na vida. Quantas vezes, obstinados em fazer cumprir o caminho traçado, baixamos a cabeça e seguimos nele sem nos permitirmos desviar um milímetro. Baixamos a cabeça e vamos... E nessa ânsia, deixamos de perceber que fora da nossa linha a vida também acontece e que acontecemos na linha do outro e só não percebemos as mãos entendidas e os acenos porque na obstinação em perseguir nossos objetivos não temos tempo de olhar pro lado...
13 September Idiossincrasia'S A idéia de caráter depende da noção arquetípica de diferença. O caráter confirma e até mesmo alardeia aquilo que é único, singular, peculiar. Como o caráter coloca a individualidade entre as marcas das diferenças observáveis, a excentricidade torna-se necessária ao caráter. (James Hillman)
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Ora, a idiossincrasia representa a riqueza da diversidade humana. Não somos iguais, ainda bem. Todos sabemos que não há duas impressões digitais iguais, como também não há duas íris nem dois registros de eletrocardiograma que sejam idênticos. Também não encontraremos duas percepções dos fatos do mundo absolutamente coincidentes. Como dizem os franceses: "vive la différence". ( Eugênio Mussak)
Outrora menina, agora moça qualquer coisa passada, sou ainda teimosa e de mil’art'manhas. Ah! manhãs sonolentas deixam-me lenta e de-mente. Lente de contato, uso e me faz bem. Pudera! Sem ela vejo quase nada E do nada veio o meu amor. Vi-o pela minha lente e comecei a dançar. Dancei porque não sei nadar. Se nada nado, danço mal. Vendo-me dançar, meu bem-me-quis-e-me-quer. Debaixo do verniz descamado meu amor viu a mulher. Meu amor enxerga mal. Me quererá ainda se eu lhe emprestar minha lente?! De que adiantará?!! Não sou mesmo a dona da verdade O que é a verdade, senão as mentiras em que acreditamos! Verd'ade! Ment'rosa Mente a rosa se disser que gosto de flores mais que folhagens. Rosa é flor ou cor? Ou é o nome de menina?! Mentindo a rosa me fez que verde não é cor. É minha idade. Mente quem diz que amadurece. Tão certo como amanhece, nascemos todo dia... Antes de nascer, morremos?! ... da loucura é que vem-me a cura. A sanidade. Não ria! ... a tua - também - vem daí. E daí se adoro rio mais que mar?! quem me condenar, ou mar-me-quer, ou não me conhece?! Em ambos casos: rio, rio, rio... e entre-rios-de-risos apresento-lhes meu álibi: "IDIOSSINCRASIA."
12 September ... água fumegando...água fumegando suavente despejada encharcando o pó marrom... Pó virando café. Metamorfose perfeita! Café escorrendo bule enchendo, fumacinha subindo, cheiro se espalhando e a boca salivando antecipando o gosto da bebida quente.
... pinta-se lá fora um quadro:
dia nublado, - quase noite - de tão pincelado de cinza. ... um vento forte que, raivoso e insistente, bate e sacoleja a minha porta. O mesmo vento - que não contente faz as árvores se curvarem sob o domínio do seu açoite... ... o frio, esse carrasco do vento, ronda as frestas da minha janela assoviando fininho e me fazendo tremer. ... é o inverno - que acompanhado do frio e do vento se apresenta - nesta estação - na sua pior versão: além de selvagem e primitivo, cruel, porque não dá trégua. ![]() Joana mulata pernambucana manhosa como gatinha sorriso largo na cara, faceira como ela só... Salto alto, quando anda rebola as cadeiras e os seios, tremem-lhe sob o decote.
Joana contrariada, é tempestade na certa, nem que seja em copo d'agua. ... e no repertório dela não se dança outra música senão a que ela toca. ... não é mulher de brinquedo! Entretém-se com ela apenas quem ela quer... Olhar enviesado só de gente desavisada, ainda assim ela não perdoa: "não tô boa, me olhô torto, eu meto a mão na cara"...
Joana impetuosa e tempestiva!
... tão dizendo que teve desacerto no barraco dela. Joana rodou a baiana botou neguinho pra correr, antes, lhe deu uns tapas. - Cheiro de "mulhé" na camisa e neguinho não sabe explicá?! Não tolero, não aturo, não aguento e não quero! Além de mim, qué mais "mulhé"?! Que vá morá num cabaré... !!!
... depois que tudo se acalma - tempestade sob a bonança - Joana guarda a faca na bota e mostra que no pé também tem samba!
"Saiam da frente - tenho pressa! Por favor, onde fica a plataforma de embarque para o FUTURO?! Estou atrasada e não fiz o check in... Como despacho minha bagagem?! Que pesada! Será que vou precisar de tudo isso?! Futuro! Futuro! Futuro! Desde sempre espero essa viagem. Meus sonhos?! Remeti-os faz anos... Nesta bagagem levo roupas, relógio, agenda, salto alto e maquiagem
e a esperança que levo numa frasqueira... Dos sonhos que remeti - tomara não se tenham extraviado - há uns que não lembro mais, outros que perderam a importância e os sonhos de criança que não esqueço jamais: "Noite de Natal e Papai Noel que não vinha, reesperado no ano seguinte..." É da infância,,a esperança que me acompanha! Que borburinho é esse?! Um contratempo?!! No meu embarque, não!!! ... minha viagen - prêmio por bom comportamento - adiada, mais uma vez?! Meia volta, volver! No coração, frustração - a velha sensação do Papai Noel que não veio. Na mão, a frasqueira - e uma certeza: Ele virá! "
Olho pra cima ... cuidando deles,
um velho de barba comprida com uma cartola na mão.
No rosto, um meio sorriso de Monalisa e jeito de quem esconde um segredo. Meeeh! transformam-se em carneirinhos os coelhos meus velhos conhecidos de noites insones tragados, não - como é meu desejo - pelo meu sono mas por um vulcão glutão que no minuto seguinte cospe-os "floquinhos de algodão" num exibido show pirotécnico. É tanto floquinho que o chão do céu vira um tapete acolchoado
do qual- imponente e luxuosa - emerge vestida de noiva uma cadeia de montanhas: réplica da cordilheira dos Andes! Das montanhas uma cascata derrama-se sob o céu: a noiva ostentado o véu que nas mãos de anjos vira asas: O céu tremulando em infinitas flâmulas! Anjos bricalhões em festa! Céus! ... então esse é o segredo sugerido pelo meio sorriso do velho: ... um pouco de imaginação e mudamos as formas de ver o mundo.
Podemos,
ou vê-las como nos dizem que são,
ou recriá-las segundo nossa própria visão.
Hoje tuas flores foram-me mordaça e calaram-me o excesso de palavras... O que me silencia não me seduz, me castiga. ... e desse castigo meu corpo é tornado inerte porque dele não se ouve e nem se vê nem eco e nem reflexo dos pensamentos que gritam e me atropelam por dentro. ... Calo! mas não é porque falo que existo é porque penso! ... do que vejo e do que ouço penso: sobra-te em vontades o que te falta em coragem... "A vida é uma viagem curta e de regra única "ser feliz". Deseje. Faça. Tenha coragem. Dispa-se! Se abrace, abrace o mundo... Descubra-se! E principalmente, viva e seja feliz! ... Hoje tuas flores - tidas como péssima alternativa ao diálogo e nesta intenção (talvez) mal interpretadas por mim - retornam a ti com intenção-ouça-me: "... Despertes para o conhecer-se. Sabe o que quer aquele que se conhece!" ... E depois - se for da tua vontade - envie-me flores!
Sou tosca,Sou tosca, De salto, eis-me descalça Vestida, ando nua. Vou me inteira, mais do que nua ou descalça. Cabelos ao vento, pensamentos soltos cavalgando nossas vontades como se verdades fossem. Tomara! ... dou rédeas à imaginação descalça e nua: inteira, Como se tivesses asas, vôo. O rumo?! Tua direção.
Que minhas maõs
em viagem pelo teu corpo, mais que uma viagem
te façam descobrir o imprevisto e o improviso, perder o medo, preterir virtude ao pecado, Que meu toque te descubra e me revele. E vice-versa... Que meu toque demonstre a possessividade da mulher que exige inteiro seu homem e seu macho, ... da mulher que toma posse sem de fato apossar-se,
... da mulher que te faz refém com pequenos toques e te aprisiona num abraço.
Falo do homem de Janeiro,
do seu jeito, e da graça com que mistura em si o homem e o menino. Desde dezembro, esse homem que me habita de virtudes, é pra mim um vício. E não ao acaso, mas das virtudes que ele me empresta, descubro no meu pequeno mundo grandiosidade. Insones e quase anônimos... andavam a esmo... Talvez fugissem, talvez andassem em busca de si mesmos... Seus rostos, ausentes de expressão não lhes denunciava tristeza ou alegria... Estavam lá porque não tinham pra onde ir ou o que fazer... Ao acaso, se encontraram e como nada tinham a perder, permitiram-se confidências... No ínicio conversas timidas que iam e vinham mas que revelavam, surpreendiam, convenciam... Quando perceberam, já eram intimos e se pertenciam... E de seus olhares, fez-se o desejo, de suas bocas famintas e sedentas, fez-se o beijo. e de seus braços carentes, fez-se o toque mágico do abraço. Seus corações despiram-se com urgência e na calma dos impacientes, uniram-se "corpo e alma" batendo num mesmo compasso e dividindo o mesmo espaço. ...ardentes, buscaram-se num mesmo tempo, percorreram-se em suas distâncias e acharam-se não próximos, mas em um só, descobrindo caminhos onde explodem vida e paz. ...Sentiram-se saciados, completos, perfeitos, feitos um para o outro, mãos dadas e olhar na mesma direção. Em seus rostos... o sorriso escancarado dos que amam... Atrás de si... apenas o deserto de suas vidas, que havia ficado distante. Não como antes, desfigurado, árido, incerto... Agora, o deserto de suas vidas parecia apenas a estrada certa, o caminho que os guiou, como se ali tivessem marcado um encontro.
Meu corpo é chama e reclama a tua presença. ...na cama insone e nua, me despeço da decência, me penso e me faço tua. Peco! Minhas mãos tornam-se suas e em viagem pelo meu corpo, conduzem-me a atalhos na busca da saciedade do meu desejo de você... Sussurro inúmeras vezes teu nome, em gemidos que traduzem não prazer, mas a inquietude que a tua ausência me provoca... Nessa viagem, te sonho, mas não encontro saciedade. O que sinto? Mais saudade e mais desejo...
É surda a boca que te suga, Ouve dos teus apelos, apenas os gemidos... Geme a boca enquanto se dá com tanto e tamanho gosto Que antes mesmo de ti, goza...
A água pelo corpo, concorre com o desejo, que me escorre na mesma proporção... ... mãos, carregadas da responsabilidade de dar-me alguma saciedade, escorregam pelo corpo, acompanham ou impedem o movimento da água, brincam... Corpo em movimento, Que sob o domínio da água e das mãos se abala e baila. Pensamentos me assaltam e se inventam reais: já não é o chuveiro, é TUA FONTE abundante que me banha o corpo... Abundam-me vontades. Gemo e te chamo, te reclamo pra mim. Aprofundam-se as mãos em mim: Tuas mãos!!! Te quero!!! Ah, como te quero! ... Vem-me o gozo seguida de uma saciedade que no minuto seguinte descubro temporária e falsa: impossível haver quietude sem a tua presença!
Cabelos em desalinho, Nos lábios, escancarado um sorriso, Brilho diferente no olhar... Passos que não conduzem, fazem flutuar A voz, toda gemidos. O ato de respirar, um suspiro. Mesmo na pressa, o andar é calmo. O corpo tão leve parece alma... A vida, ainda que urgente, requer ares de eterna. Chuvosos ou frios, os dias amanhecem belos e anoitecem ensolarados. E mesmo em silêncio, o mundo canta, dança, faz festa! Que coisa! Estes são INDÍCIOS que incriminam amantes...
Mais do que namorados, amigos ou amantes, somos cumplices! Metades que se completam em um amor que dispensa palavras, porque imedidas são as suas proporções...
Tuas mãos de escultor, emolduram meu corpo, dando-lhe vida e sonhos. Alma! Sou obra acabada em tuas mãos, taça por onde escorre um suave licor. Que eu seja teu vício, teu pecado, tua virtude, tua bebida preferida, ou taça de prazer sem medidas, onde tua boca possessiva e sedenta possa embriagar-se eternamente de amor...
A chuva me acha. Acho graça,
abro os braços, giro e rio.
Me arrepio, de tesão e de frio.
Eu e a chuva cúmplices, descalças, nuas.
E de tanto gosto
imagino que a chuva goza em mim.
Olhe-me pelas janelas da alma.
Olhe como chove-me agora, dentro e fora.
Rio na chuva que me escorre.
Lavo a alma.
Gozo!
E de braços abertos giro e rio e giro e rio...
Lava tua alma no rio que me escorre entremeio as coxas. Vem, Banha-te, Afoga-te, Bebe-me e transborda-te! Nesse rio que é labareda te esbalda e me faz delirar. Goza-me. Eu exijo!
06 September Tempo sobrandoTempo sobrando recorro a escavações. Baús abertos, surgem papiros. ... uma extinta civilização é reavivada por seus relatos. Traço mapas: resultam labirintos! ... a escrita me confunde! É antiga?! A letra nos pergaminhos, reconheço. É minha! ... estes escritos de ontem, tão atuais que me parecem de hoje... ... recorre ao passado não apenas quem deseja construir um altar ou reviver lembranças. Também quem deseja organizar a sua história. Vim organizar a minha! Que Nietzche – e sua eterna recorrência - me perdoe! Quem se repete não evolui. E quem se olha no espelho?! Só terá evoluído se encontrar em si uma nova ruga?! Na escrita me organizo e registro passagens que não resitiriam a minha memória fraca;
Na escrita eternizo lembranças que não desejo esquecidas. Pela escrita (quando nada de novo me ocorre dizer) me transformo em expectadora da minha própria história e - vaidosa - me imortalizo e encontro Nietzche!
Na sala vaziaNa sala vazia, restam concretas "lembranças" dos sonhos pendurados, quadros de uma paisagem viva, tidas num tempo, que julgo eterno e que se faz presente, porque foi intenso, definitivo, urgente... Mais do que lembranças, heranças de séculos, que guardarei pra sempre no baú da minha memória.
Vivo de verdades emprestadas... acredito em mentiras. Sem ter me previsto mendiga, reviro lixo em busca de restos: Lembranças! Nelas me farto! Os filhos em que acreditei, soube que jamais teríamos. Inda assim eu os tive! Sustento-me em dias passados, que me destes de presente, como se fossem ainda o meu agora, meu depois, meus últimos dias... Não me integro. Entrego-me A gestos mecânicos, Minto a mim e nesta morte em vida, ando a esmo e assim vivo...
Quem é a morte?
Quem é a morte?
Como será ela? Dama ou donzela? Santa ou bandida? Imagino-a mulher, forte, pés no chão, decidida, como quem sabe o faz e o que quer Talvez rainha, serena, linda, esguia, formosa em todas as formas, perfeita como uma rosa ...ou será como a camélia? De certo, não como Amélia, mas cheirosa, feminina, vaidosa pura e doce como uma menina e fatal como veneno mortal. Mulher, com ares de quem é dona, como a quem tudo pertence. Soberana, missionária ou emissária do rei da vida. A sabedoria, a resposta de todas as nossas dúvidas, a solução de todos os mistérios, nossa única certeza, a dona de nossas vidas dividida entre terra e céu. A enviada de um reino distante, imaginado e desconhecido, não para sempre, mas por algum tempo - pelo tempo da vida - Um reino que será nosso lar eterno, paraíso ou inferno, cedo ou tarde (acabado o tempo da vida) saberemos.
Lá vem ela,
Morena, bonita, gingando, perfumada, faceira, fogosa, nega dengosa, vem enfeitada e enfeitando. Enfeitiçando! Traz nos cabelos estrelas, que são como purpurinas e lhe ficam tão bem. É a noite que vem manhosa, mulata assanhada, abre os braços pra acolher o dia que cansado e saudoso no colo dela se aninha e dorme. Descansa o dia!
Um tiro! ...e cessa o vôo do pássaro, que tomba ferido, entoando um resto de canto - que mais que um gemido - é um lamento, um grito de desencanto! No pranto do pássaro, um misto de dor e incredulidade. Seu mundo, desfeito num segundo, Sua vida, perdida, desperdiçada em vôos fúteis e fáceis, inúteis vôos vividos em vão. Vôos tidos à toa, divididos entre idas e vindas sem nexo... Com os olhos da saudade, pensa nos vôos que não fez e a certeza de que não fará seu último grande vôo, lhe desfaz a alma em tristeza. Mas que alma??? Pássaro tem alma??? Sempre lhe disseram que não! ...de repente sua alma cria asas e perplexo o pássaro descobre que seu corpo - agora casa de asas quebradas - é só um corpo mutilado. e ele é muito mais que seu corpo. Seu corpo na verdade, sinônimo de gaiola! ...e como num sonho, seu corpo se ensaia num novo vôo, e ele compreende que este é seu grande vôo de efeito, o mais perfeito e mais alto... Num instante, o pássaro- alma abre suas asas, abraça o infinito e se confunde com o céu num vôo que ninguém vê... mas que o faz ver - de uma forma nunca vista antes - que há beleza em tudo. Nesse vôo - no vôo que ninguém vê - o pássaro compreende que a beleza com que agora enxerga a mundo vem, antes de mais nada da compreensão de sua própria beleza...
Quando a ave noite desperta abre suas asas e deixa o ninho, o dia enfraquecido de luz recolhe-se, em seu leito encolhe-se e adormece de exaustão... E sobre nós, os desprotegidos, os sozinhos cai o negro manto da escuridão. E das trevas, das profundezas do desconhecido, ergue-se um mundo temido, despido de luz, de leis, um mundo sem fronteiras onde os caminhos tortuosos são muitos, fáceis, livres e levam a nenhum lugar... Destes caminhos sem volta, surgem fantasmas, monstros, zumbis. Santas transformam-se em prostitutas, heróis em bandidos. Neste mundo, os bons são banidos, varridos pela maldade das estranhas figuras que povoam as ruas quase desertas, figuras diversas, perversas, que convencem por sua maldade. Esse mundo sem dono, intimida, atemoriza, transtorna. Deixa-me com frio, sem fome e sem sono. A mim transforma. Nele me desconheço. Nada posso. Não tenho forças e nem aconteço. O que faço se não tenho sono e nem sonho? Penso! Nos ladrões, que rondam as casas... Nos lobisomens, que invadem as esquinas... Nos gatos, que brigam nos telhados enquanto os ratos reviram o lixo e espalham a peste... Na insônia, dos estômagos esfomeados... Nos bêbados que habitam os bares, desprezando seus lares... Nas drogas, que destroem vidas... Nos pés descalços... E principalmente no "bicho-papão", que mora no nada e de lá me vigia protegido pela escuridão. Fecho os olhos, rezo, canto baixinho, finjo que ele não existe ...mas o bicho insiste, persiste, resiste e só desaparece quando amanhece e o galo canta anunciando que a ave noite cansada regressa ao ninho pra destruir as figuras estranhas que habitam as entranhas do mundo sem luz... E vem sorrindo a ave noite... pois ela sabe que no sucesso de suas idas e vindas, mais que ao dia, devolve vida a mim.
A noite, bela e perigosa, mulher corajosa, foi longe em sua valentia. Para provar ao dia, que quando dizia "Te Amo", não mentia embrenhou-se numa luta danada com outra dama - a madrugada - na disputa pelo sol (o presente que ela daria ao amado). Então, num intrépido duelo, a noite venceu a madrugada e em seu cavalo alado, com o sol a tiracolo, correu para os braços do amado e disse: - "Amor, toma, este presente é teu!" O dia, ferido em seu orgulho de macho, ao invés de agradecido, ficou enfurecido e sentindo-se diminuído e humilhado, respondeu: - "Não quero! presente quem dá aqui sou eu." E foi em busca da lua para presentear sua amada. Não sabia o coitado que a lua Deus tinha dado a noite. Voltou o dia furioso e bateu na noite irritado, deixando Deus muito irado, que com a paciência esgotada ordenou-lhes num grito: - "Saiam já do paraíso! Vou separá-los pra sempre. Levarão lua e sol com vocês e como castigo lhes digo, nunca mais brigarão. No mesmo lugar viverão e muito, muito raramente se encontrarão." ... e assim, no mesmo céu, há noite e lua, dia e sol e há também a madrugada, esta dama derrotada que é feliz, porque numa vingança solitária se fez voluntária pra separar os amantes. 29 August Não me gusta
Não me gusta coadjuvar um conto e nem buscar a teatralidade de sorrisos ensaiados, nem palavras finamente arranjadas, ou bem ditas, ou ditas na hora certa... Gosto do verdadeiro, do improviso, da adrenalina, da emoção das palavras não ditas, do riso frouxo, fácil, quase vulgar. Busco pessoas despidas de títulos, embora admire as qualidades e habilidades adquiridas através deles... Busco pessoas "nuas, descalças e braços abertos..." porque nestas condições estas pessoas igualam-se a mim: "nua, descalça e braços abertos..." Busco a emoção que a pessoa despida pode me proporcionar com o seu toque e não necessariamente o que se limita as mãos... O toque do olhar, do sorriso, do cuidado que me inspira aquele a quem quero bem; daquele que me abraça e me beija, ainda que "apenas" me olhe... .
22 August ...reflexões!
“Acreditar que somos maiores do que parecemos é o que nos tira da vala comum. Infeliz é aquele que se contenta e aceita sobre si o parecer alheio, sobretudo se este não lhe for favorável..."
![]() ... na falta de talento compenso - ou pelo menos tento - redobrando o esforço e atenção empenhados... e se disso não resulta sucesso completo resulta a satisfação de ter me empreendido na tarefa com dedicação máxima. ... no que me cabe uma parte - saiba - haverá sempre o que de melhor pude dar de mim.
Acordo Acordo
e me descubro - surpresa! - no dia ontem. Sem querer, criei a máquina do tempo... ... luzes na sala. Velas acesas! Nas paredes, a pintura desbotada. Pendurados, os mesmos quadros. ... uma colcha de retalhos na cama. Por todos os lados, pó. Sinal de casa desabitada! Reviro as gavetas. Papéis amarelados revelam a brevidades de uma história. Mal terminada, talvez... Que dia frio! ... duas torres desmoronaram. Prenúncio da queda da rainha?! Irá ruir seu castelo?! O que era doce, acabou-se. Não faz mal! Do doce, guardo o gosto da tua boca e dos teus beijos: chocolate e pessegos... Brindemos com champagne ao "Eterno enquanto durou..." Abro os braços - e embriagada - acolho o passado: Gestos. Cores. Sabores. Perfumes. Sons. Sensações. Sentidos. Sentimentos. É grande a emoção: do que foi vivido e do que é lembrado. Os elefantes não esquecem. Nem me deixam esquecer... Um cigarro dividido. Um cafezinho, pra espantar o frio. O primeiro vicio, abandonei... Por causa disso, viverei mais. O segundo?! ainda hoje nele me farto. O frio passa. O sol entra pela janela. Me debruço nela. Calor! ... e donde minha vista mal alcança, corpos imersos numa banheira, numa piscina, numa praia! Imersos em sonhos! Numa garrafa de champagne. Numa taça de vinho. A teu lado, curta ou longa, qualquer estrada levava ao paraíso! Rio e embriagada, desfilo pela sala - feito ainda rainha - desfiando lembranças. Hoje, meu dia fez-se de dias distantes, pedaços juntados num quebra cabeças. Não, sem gratidão, desfaço-me deles agora. Retornam a gaveta! Lucidez recuperada, ando pela sala e mais uma vez,, registro cada detalhe. Fecho as janelas, sopro as velas, deixo a sala, fecho a porta e descubro - surpresa - que controlo a máquina do tempo!
... reflexõesEu seria mesmo uma tola
se acreditasse que só manisfestações barulhentas são indicios de carinho,
que silêncio reflete esquecimento
ou que a não presença de alguém na minha vida
transforma-o num ausente.
![]() Devaneando! ...outro dia li que arte é a conversão de uma Somos todos artistas, pela nossa capacidade em sentir, não pela capacidade em converter... Essa não é uma capacidade de todos. Quisera fosse a minha! Penso que mesmo aqueles que a tem, jamais converterão suas sensações com fidelidade. Na própria conversão, a sensação perde algumas de suas características originais e outras tantas serão perdidas na recepção desta sensação... Resumindo: A arte é uma tentativa e às vezes vã de tentar compartilhar sensações...
A vaidade
é uma menina luxenta
que ignora
o prazer de andar despida
e menospreza o conforto de uma roupa surrada.
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Devaneando!Quando somos jovens, temos uma capacidade física grande. Em contrapartida, nossa capacidade mental é pequena. A cabeça envelhecida por conceitos alheios não nos deixa ver além, tampouco questionar. E de acordo com nossos valores, damos à coisas supérfluas demasiada importância, nos desperdiçando em futilidades de toda a ordem. Temos medo de admitir nossas ignorâncias e fingimos uma compreensão que não temos. Na composição do vazio que somos, somos nada. Nesta idade, ser importa menos do que parecer.
A idade avança e enquanto nossa capacidade física encolhe, nossa capacidade mental se agiganta. A cabeça se rejuvenesce a cada novo conceito, as coisas passam a ter um valor transitório e nada é o que parece e nem definitivo. Enquanto diminui a tolerância com o alheio, a tolerância pessoal aumenta e em função disso passamos a ser menos virtuosos, porém mais verdadeiros. O absolutismo da juventude se transforma no relativismo da velhice. Passamos a ser a síntese de todos os estágios da vida: ora crianças, ora adolescentes, ora adultos; homens de almas rejuvenescidas aprisionados em corpos envelhecidos. Caem as máscaras e surgem rugas. Não há como negar o envelhecimento de nossos corpos. Mesmo que nossos olhos não captem a nossa imagem refletida no espelho, o tempo, implacável que é, em riste nos aponta o dedo. E na fila dos idosos, lá estamos nós.
O envelhecimento, seja do corpo ou da mente é nada mais do que a medida natural de contenção do entusiasmo do ser humano: na juventude a mente limita o poder do corpo e na velhice, o corpo limita o poder da mente, que é infinitamente maior do que em qualquer outra idade que possamos ter. Imagine como seria o mundo se corpos jovens tivessem a maturidade e a sabedoria mental dos velhos corpos?! Seríamos todos gênios ocupando um mesmo espaço. Haveria no mundo espaço pra tantos gênios?!! Viveríamos num mundo repleto não de criaturas, mas de criadores. Se são as criaturas que usufruem da criação, como se justificaria um mundo de criadores?! Na quebra da cadeia em que um submete o outro pela necessidade, não teríamos em decadência um mundo de seres autosuficientes?! E ninguém é uma ilha, não nesse mundo.
A maturidade começa a surgir à medida em que vamos envelhecendo e antes de brinde, é um castigo. Castigo porque quando nos descobrimos "sem idade", já não temos mais idade para usufruir da descoberta. E aquele que se descobre precocemente sem idade é verdadeiramente um gênio. E gênios devidamente ambientados em corpos jovens não se submetem ao jugo do tempo, porque estão antes e além dele. Lamentavelmente deixamos de ser gênios quando a descoberta se dá tão tarde, a ponto de não termos mais tempo e nem idade pra desfrutar da nossa genialidade. Neste caso, gênios abortados é o que somos.
E a maturidade é brinde porque invariavelmente transforma gênios abortados em SÁBIOS. Da sabedoria surge a compreensão de que na cadeia da vida a ignorância é um mal necessário. Ela permite que cada um, respeitadas as devidas limitações, avance no tempo certo. Gênios ou Sábios, uns mais que outros, todos à seu tempo, avançando. E o TEMPO?! avançando conosco ou sobre nós."
Econtrei-o numa esquinaEncontrei-o numa esquina, ao acaso, num botequim vulgar e vagabundo. Ébrio, olhou-me com humildade, parecia esmolar amor. Bebia e quanto mais o fazia, mais aversão eu sentia... Tive medo, nojo, raiva, pena... uma súbita vontade de ajudar, mas tão covarde eu era preferi ignorar... Fiquei pensando nos outros e no que eles iam falar. O homem levantou-se e indo embora, cambaleou ate quedar na lama suja dos porcos da cidade. Malditos, os falsos moralistas bêbados sofisticados, de uísques caros e importados, passavam por ele, cabeça ereta, sem ao menos se apiedar... Coitado, caído, mão estendida, agonizava... Meus Deus! Há um homem estendido na calçada, morrendo de bêbado e ninguém faz nada... Há um homem morrendo... Vi a morte bebendo o bêbado. Gelei. Senti calafrios... E não eram de frio. ... era minha consciência a pesar.
Rua movimentada, enfeitada de casas, lojas, flores e cores. Tapete da massa que me encontra, Me abraça sem emoção e passa perdida sem rumo e sem direção. Há um gingado sem graça no passo cadenciado da massa, premeditado, encomendado, ensaiado. Engraçado! Parece que a massa marcha. Assemelham-se a bonecos moldados, programados para andar... Onde irão esses soldados? Há pressa em seus passos? Andam a esmo? Fogem ou vão a procura de si mesmos? O que se passa no coração da massa? São iguais os rostos que passam, ausentes de expressão, não lhes noto surpresa, nem tristeza, não há beleza em seus traços... A sensação que tenho é que mesmo em procissão a massa não se percebe. não se precisa, toca, sente, avalia, orienta. Não sabe a força que tem, sequer sabe que é massa ou porque passa. No gesto mecânico do andar, deixa-se levar, sem pensar, sem cessar, não cansa a massa no seu caminhar...
Quem és tu figura diabólica? Porque me olhas com descrença? Se a mim conheces até as entranhas caras e bocas, modos e geografias... Porque o espanto? Somos cúmplices... ensaiamos juntos cada ato: O criador e sua cria! Não me olhes com desdém e nem me desafies a tirar a máscara? Repara neste sorriso. Viu como disfarça bem meu pranto! Não sou encanto?!
Nenhum homem conseguirá desvendar os mistérios do universo, se antes não desvendar seu próprios mistérios. Décadas de avanço para séculos de retrocesso num processo de destruição que ele chama “evolução”. Pesquisa a cura de doenças e constrói bombas, Desenvolve a fertilidade in vitro e desencadeia guerras, Procura vida em outros planetas, e não combate a fome que mata sua gente. E de sua indiferença nascem etiópias, E da sua insanidade, se empossam os maus governantes, E da sua insensatez, o mundo avança a passos largos rumo ao caos. Acredita-se o senhor de todos os caminhos, e ignora que pra ir de um coração a outro, basta-lhe sinceridade no olhar ou simplesmente que estenda a mão... é esse o caminho pro seu próprio coração.
Diga? Digo! ... que na minha inexperiência não paro de aprender e que erros cometidos melhor conceituá-los "experiência". Aprendi que a vida é feita de muitos passos e se houver descompasso, infinitas são as chances de acertar o passo. E que basta dar-se a chance... (quero dar e ter todas) Recuando e avançando, isto é caminhar.... Que passos podem ser moldados ao sabor do momento, ditados pelo coração, pela razão e que em algum momento poderão parecer passos "mal dados"... ou não (como diria Caetano). Certo é que todos os passos nos levam a algum lugar, mesmo os que – aparentemente – não nos levam a lugar algum... Errado é continuar nesse passo interpretando o papel de vitima... ( e é tão fácil interpretar esse papel) A vitima pra se livrar da propria culpa aponta culpados: - "não me ensinaram os passos certos" ( essa desculpa de tão velha, não convence nem a ela) Descobri que a vida se oferece nova a cada passo. e que a todo instante é possível recomeçar...(mesmo quando nem buscávamos o recomeço) e que os passos certos aprenderei caminhanho, avançando, recuando e não com outros, mas com meus próprios pés!
18 August A vida nos exige opções...
A vida nos exige opções e - que droga - optar é, antes de escolher, preterir... Não há nada pior do que optar sabendo que não reunimos informações suficientes ou tendo a certeza de que jamais as reuniremos... Ou ainda, quando nossa visão do mundo embaça a todo momento e não raro, é uma visão tola, rasa, temporária... Poucos são os que têm coragem de abandonar um projeto quando descobrem que o dito cujo perdeu a importância...
Muitos chamariam a isso "desistência". Eu chamo "coragem"...
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Tens pressa. Eu sei! Em mim também há uma pressa que não é suficiente pra me fazer acompanhar os passos do mundo; nesta pressa muitas vezes passo por lugares ou pessoas sem reparar... Da vida é só o que lamento, aquilo que, estando a meu alcance, fica preterido por absoluta incapacidade em acompanhar a velocidade deste mundo doido... É nestas circunstâncias de avaliação da minha pressa e na percepção de que tantas coisas ficarão anônimas que, muitas vezes, início ou termino meu dia meio "chochinha", "apagadinha", "chatinha"... Não digo que o seja, mas vez ou outra é como me sinto.
Sei, na tua competência, que colherás os frutos imaginados. "A vitória, qualquer vitória, é mesmo maravilhosa".... Determinadas vezes a vitória consiste mais no esforço empenhado do que propriamente nos frutos colhidos... Essa é uma teoria que tenho e que vem–me à cabeça em momentos rotineiros, por vezes inusitados, momentos acima de qualquer suspeita, aqueles de vitórias silenciosas, anônimas, que em situações normais passariam desapercebidas aos outros, e em algumas circunstâncias, a mim... Talvez sejam estas as maiores vitórias, feitas do cotidiano, de achar graça no que aparentemente não tem graça, de fazer da vida uma festa, ainda que abdiquemos, por necessidade ou opção, dos fogos de artifício. O acordar, o tomar banho, o fazer uma refeição, o trabalhar, o pensar, o sol, a chuva, a noite, amores tidos (findos ou começados), os sentidos que nos aguçam a visão e o senso. Coisas grandiosas, mas que estão travestidas de uma gratuidade que as faz parecer pequenas. Reconhecer "qualquer vitória" nos possibilita andar com uma taça (invisível que seja) festejando a vida, a nossa e a alheia... É nisso que penso quando procuro colo e acabo tendo apenas e tão somente meu próprio colo.
10 August Há tanta coisa:Há tanta coisa: Os livros, as músicas, as mãos estendidas. Vasto é o mundo; não acaba onde acaba meu olhar. Leio, danço, abraço: infinitos são os caminhos. Desejo tudo ao mesmo tempo: sujeitos, objetos, verbos. E agora que me sobra liberdade Não me faltará tempo?!!
Passa o tempo a alma endurece escurece, perde-se a razão. Estreitam-se os horizontes, ...acabam-se os horizontes. O sol já não brilha, é sempre inverno Inferno! Cadê o verão? Passa o tempo e não muda a estação!
Que faço da vida, Se não sei para onde dirigir meus passos?!. Que faço da vida, Se não encontro meu espaço?! Que faço da vida, Se nela me desfaço?!. Que faço com minha vida???
Os dias passam e o que faço a não ser contá-los. Tão iguais, separo-os apenas como noite e dia. Esperar, é o que me resta: ao dia espero a noite, à noite espero o dia.
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